OS PRIMEIROS HABITANTES "OS ÍNDIOS".

Antes da chegada dos portugueses, toda a costa brasileira era habitada por índios da raça Tupi, que haviam expulsado para o interior, as tribos inimigas, Nesta região os índios se denominam Tupinambás e viviam nas terras ao norte e Tupiniquins que viviam nas terras ao sul de São Sebastião. A praia de Boiçucanga era a divisa natural das terras das duas tribos, divisa respeitada por ambas as tribos, apesar de não existirem muros ou cercas, esses índios eram incapazes de guerrear por questão de limite. Praticavam a antropofagia (comer seu inimigo) por vingança. Devido ao seu espírito destemeroso, se entrassem em guerra a honra consistia em prender e matar muitos inimigos, dos quais herdavam o nome. Esses índios mantinham guerra constante porque há mais de um século os Tupiniquins aprisionaram um índio da tribo Tupinambás. Para se vingar da ofensa os Tupinambás aprisionaram e devoraram não se sabe quantos da tribo Tupiniquim, esta portanto, entendeu que devia fazer outro tanto e assim perdurou por muito tempo a luta entre as duas tribos. As duas tribos eram compostas de índios que moravam em aldeias onde as ocas eram de madeira, cobertas de palha, sem nenhum repartimento, dormiam em redes sendo em cada oca, ficavam de 30 a 40 índios. Andavam nus, pintados ornamentados. Na tribo Tupinambás, os homens usavam o lábio inferior perfurado por um anel com pedra verde ornando-se com dois molhos de penas. Os Tupiniquins não eram diferentes, usavam muita ornamentação. Sobreviviam de caça e pesca, era na Mata Atlântica que encontravam alimentos necessários à sua sobrevivência: frutas, palmito, pequenos animais, etc. As lutas entre as duas tribos se intensificaram depois da vinda dos portugueses. Estes necessitando de mão-de-obra iniciam o bandeirismo de apresentamento, que consistia em capturar índios e vendê-los como escravos nos engenhos nordestinos. Os Tupiniquims s e aliam aos portugueses para se auxiliar na captura. Os índios Tupinambás, por serem vizinhos e inimigos dos Tupiniquins são os que mais sofreram perseguição. A praia de Boiçucanga foi palco de inúmeras lutas entre as duas tribos. A partir de 1558, índios chefiados pela tribo Tupinambá, aliados à outras tribos, formam a Confederação dos Tamoios a fim de combater a escravidão a que estavam submetidos. Os Tupiniquins fogem perseguidos pelos Tupinambás. Estes também se afastaram seguindo os franceses rumo ao Maranhão. Atualmente existem agrupamentos de indígenas em Boracéia e Barra do Una. São índios da tribo Guarani que viviam no interior do Brasil e vieram para o litoral bem mais tarde. A reserva Indígena do Rio Silveiras, de São Sebastião, tem seu principal núcleo localizado em Boracéia. As terras da reserva estendem-se também pelo município de Bertioga. São 40 famílias divididas em três núcleos e a reserva já conta hoje até com uma escolinha, construída pela Prefeitura de Bertioga, e mais uma melhoria, implantada pela Prefeitura de São Sebastião: sistemas de distribuição de água e fossas para tratamento de esgoto.
Os índios guaranis, cuja tradição de migração constante de aldeia em aldeia é forte, têm procurado meios de se fixar com atividades alternativas à coleta de palmito juçara - ameaçado de extinção - e à venda de artesanato. Projetos em conjunto entre a Funai, a Secretaria de Estado da Agricultura e ONGs como a entidade sebastianense Guaricanga, estão trabalhando junto com os membros da aldeia. Alguns deles já cultivam a própria terra, outros estão sendo iniciados no cultivo de peixe e de pupunha, um palmito ecológico e renovável. Mas a atividade que mais tem dado certo é o cultivo de flores ornamentais originárias da Mata Atlântica. Os índios cuidam de um viveiro formado principalmente por helicônias - exótica flor vermelha - de onde tiram mudas que são vendidas, e coletam flores que tem enfeitado hotéis e pousadas da região. A intenção é integrar o pessoal da aldeia na vida do município de modo a manter sua dignidade e sua cultura, procurando romper com o ciclo do assistencialismo ao qual historicamente estiveram submetidos. A palavra caa-içara é de origem tupi-guarani. As palavras quando separadas sugerem uma definição: caa significa galhos, paus, "mato", enquanto que içara significa armadilha. Juntando a definição ao pé da letra seria, uma armadilha de galhos. Porém, o termo caiçara denomina as comunidades de pescadores tradicionais dos Estados de São Paulo e Paraná e sul do Rio de Janeiro.
Quando o Brasil foi colonizado, os índios foram gradativamente sendo exterminados de nosso litoral, deixando heranças que ainda hoje se perpetuam. Os Caiçaras são um exemplo vivo desta combinação índio/colono, terra/mar - que se estabeleceram nos costões rochosos, restingas, mangues e encostas da mata atlântica. Fazendo parte das culturas litorâneas brasileiras, os Caiçaras representam um forte elo entre o homem e seus recursos naturais, gerando um raro exemplo de comunidade harmônica com o seu ambiente. Com poucos contatos com o "mundo de fora", os Caiçaras evoluíram aproveitando os recursos naturais à sua volta, que resultou numa grande intimidade com o ambiente. Povo que vive entre o mar e a floresta, estas pequenas comunidades tentam, ainda hoje, preservar seus valores de grupo. Seus territórios - praias e enseadas - são de difícil acesso, por vezes protegidos por Unidades de Conservação. Atualmente estas terras são alvo da especulação imobiliária, devido à sua beleza e excelente estado de conservação. Existem duas principais relações de trabalho nestas comunidades: a pesca, que agrega toda a comunidade e a agricultura, cujos limites são exclusivamente familiares. Ademais, ainda combinam atividades de coleta, extrativismo e artesanato.
O homem caiçara passou de lavrador para pescador e, hoje, podemos dizer que a pesca é a principal atividade do homem caiçara. Com uma rica noção de pesca adquirida ao longo do tempo, os Caiçaras começaram a trabalhar em barcos pesqueiros há cerca de 30 anos. Hoje, a maioria dos homens adultos são empregados em grandes barcos de sardinha, levando-os a pescar no "mar de fora". Recebem porcentagens da pesca de acordo com sua especialidade e, em épocas de proibição da pesca ("defeso"), desembarcam de volta ao seus lares. O arrasto da tainha merece atenção especial, pois se trata de um momento decongregação da comunidade, onde todos trabalham para todos.

CUNHAGEM DE CANOA

A agricultura caiçara serve como complemento alimentar dos pescadores e seu principal produto é a farinha de mandioca - consumida em quase todas as refeições. Existe, ainda, uma infinidade de produtos secundários e ervas medicinais. Seus principais produtos são: mandioca, milho, cana, feijão, guandu, inhame, entre outros. Plantas são também usadas para uma grande variedade de propósitos, como alimento, medicina, construção, entre outros. O conhecimento dos Caiçaras sobre ervas medicinais é bastante vasto, sendo objeto de inúmeras pesquisas. Este conhecimento se traduz mais pelas plantas tradicionalmente usadas na medicina popular. Esse intenso uso demonstra a forte interação homem / ambiente. A extração de madeira para diversos fins como lenha, construção de canoas e casas, etc, esbarra muitas vezes em proibição das leis que regem algumas Unidades de Conservação. Os Caiçaras ficam assim limitados em seu próprio território.

Pousada Farol das Gaivotas
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